7/3/2010 - 05h01
Coluna 2
Adeus, dr. Hélio
Irio José da Silva
Certas ausências são ainda maiores e mais profundas que o sentimento de tristeza e solidão que nos deixam. A sensação que toma conta dos corações que ficam é uma dor indefinida, dessas que tomam conta da gente por inteiro. Dr. Hélio que sempre foi presença, se tornou saudade. Pelo grande advogado que foi. Pelo amigo e ser humano que sempre foi - modelo para qualquer geração.
Sua ausência será sentida por todos os operadores e acadêmicos de direito de nossa região. Quando ministrava aula ou proferia um discurso, suas preleções ficarão eternamente incutidas no íntimo de quem as ouviu. Não apenas convincente, bem fundamentadas nos clássicos da literatura jurídica, precisas, claras, exemplificativas, o que se tornava em autêntica obra de arte, tão enquadradas nos mais rigores cânones estéticos que nos sugeriam involuntariedade uma Capela Sistina ou uma tela de Rafael. E essa beleza que não lhe advinha exclusivamente da forma, da maneira superiormente feliz por que fosse apresentado ou desdobrado o tema da preleção, mas também, sobretudo da impressão harmoniosa segurança que nos deixavam de boca aberta de sua erudição jurídica.
Adeus, Dr. Helio. Após um mês de seu passamento para o andar de cima, creio que á esta hora em sua nova morada, compartilhada com Orozimbo Nonato, Spinola, Pontes de Miranda, J. X. Carvalho Mendonça, Sobral Pinto, Clarence Darrow, Lincoln, Jefferson e outros do mesmo quilate, estarão em calorosa discussão em razão do anteprojeto de lei a ser apresentado ao Criador, visando modificar a natureza humana, a qual, desprovida de ganância, passaremos a viver num planeta onde imperará a paz e a concórdia.
As mulheres que Deus nos deu
Esbaforido e carregado de malas, o marido apontou para o trem que acabava de partir:
- Se você não tivesse levado tanto tempo para aprontar-se, censurou à esposa, não o teríamos perdido.
- É isso mesmo, foi a réplica imediata. - Mas se você não me tivesse apressado tanto, teríamos de esperar muito menos tempo pelo próximo trem!
A isso denomina-se "lógica feminina", demonstrando que a mentalidade do sexo dito frágil transcede às diferenças biológicas que distinguem o homem da mulher. As mulheres preferem ter razão do que serem razoáveis. Às vezes, partindo de uma falsa premissa, elas saltam com a velocidade da luz a uma conclusão acertada. Outras vezes, tendo diante dos olhos a conclusão acertada, vagueiam por uma infinidade de fascinantes atalhos antes de aceitá-las. Quem já acompanhou uma mulher nas compras, sabe que isto é verdade.
Todavia, esse maravilhoso ser, feito na redondeza da lua, a ondulação dos mares, o tremular da relva, a leveza das flores, o brilho dos raios solares, as lágrimas do orvalho, a timidez da lebre, a vaidade do pavão, a dureza do diamante, a doçura do mel, a crueldade do tigre, o valor do fogo, a frieza das neves, mesmo possuindo uma mentalidade, onde um cordeiro se pode transformar num leão, ou uma borboleta numa abelha, é obra-prima de Deus, sem a qual não vivemos.
O certo é que em ambos os sexos há numerosos pontos comuns. Inteligência, talento, coragem, ambição, vulnerabilidade emocional - são qualidades humanas que todos partilhamos. Se cada sexo acrescentar a estes atributos um estilo diferente e um toque especial. Nós todos só teremos a lucrar.
Quem gostaria de viver num planeta onde as mulheres pensassem como homens? Ninguém. Então, viva a diferença!